Você é ansioso? Quem disse?

5 de de outubro 2017 por

Há alguns anos atrás, durante uma aula de farmacologia, meu professor iniciou a aula de forma brilhante. Aliás ele era brilhante. Ele começou dizendo que duas provas feitas pela sala eram totalmente idênticas e por isso toda a sala seria penalizada, tendo a nota da prova dividida por dois. Com a sala inteira calada e sem ação, continuou dizendo que era uma norma da faculdade e que ele iria tentar reverter. Alguns segundos se passaram e ele anunciou: “senhores o sentimento que vocês têm agora se chama ansiedade, mas os senhores não são ansiosos. Nossa aula hoje é sobre ansiolíticos”. Foi assim que nosso mestre nos mostrou que a ansiedade faz parte do dia a dia e que o que difere uma pessoa que sofre de ansiedade de outra que fica ansiosa, é a intensidade e frequência que o sentimento surge.

Mas parece que as pessoas adoram falar que são ansiosas sem terem recebido esse diagnóstico. Se auto intitulam ansiosas e pronto, passam a montar a vida em cima desse auto diagnóstico e por isso se permitem algumas fraquezas. Ansiedade é muito mais que isso e é muito sério. Talvez o maior problema esteja na generalização das publicações. Veja, uma breve pesquisa na internet revela que os principais sintomas de ansiedade são: medos irracionais, lembranças ruins, preocupações e perfeccionismo. Se apenas isso fosse verdade quem tem medo de barata, quem se lembra de ter feito uma burrada, quem se preocupa todo mês em pagar as contas e quem gosta de fazer tudo certinho ou é virginiano, é ansioso. Nem preciso explicar que não é assim.

A intensidade e frequência com que isso acontece deve sempre ser levado em conta e o contexto também. Ter medo de barata é muito comum, bichinho chato esse mesmo. Muito diferente de não entrar em um cinema porque acredita que pode ser que tenha baratas lá dentro. Acontece que se uma pessoa menos avisada lê uma matéria como essa, pode facilmente se enquadrar nos sintomas e a partir desse momento se auto intitular ansiosa, criando para si muitos problemas.

Se você é ansiosa com diagnóstico médico ou não, saiba que existe uma forma de melhorar muito, sem efeitos colaterais e que trará muitos outros benefícios. Estou falando dos exercícios. As últimas revisões de trabalhos científicos mostram grandes avanços na terapia para ansiedade patológica usando os exercícios (1) (2). Não existem evidências que o exercício pode ser usado como único tratamento para a ansiedade, mas os estudos revelam que é uma terapia auxiliar importante e também reduz a necessidade do uso de medicamentos farmacológicos.

Outra forma de pensar sobre o assunto é que não existem medicamentos sem efeito colateral negativo. Algum efeito sempre existe, ao contrário dos exercícios que além de diminuírem a ansiedade, no caso, irá também atuar na promoção da saúde. Romper a resistência em se fazer exercícios com certeza é mais fácil que conviver com a doença.

(1) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4498975/
(2) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24923346


A Dra. Ivani Manzo atende pessoas pessoalmente ou online, auxiliando a terem uma alimentação mais saudável, encontrando o melhor tipo de atividade física e melhor qualidade de vida.  A Dra. Ivani Manzo é PhD pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo UNIFESP-EPM.  Há anos estuda o funcionamento do corpo humano. Acredita que a melhor forma de manter a saúde e a qualidade de vida é cuidando da alimentação, sono e fazer exercícios.   Para contato, visite: http://www.myclickcoach.com

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