Tornar-se um líder Tornar-se um líder

Tornar-se um líder não é escolha sua, mas ser um bom líder é um dever da sua consciência!

10 de de março 2017 por

Todos nós temos pessoas, uma ou várias, que nos inspiram e estimulam a enxergar os caminhos a serem seguidos. Nos espelhamos nelas por motivos diversos. Parentesco, afinidade, admiração, dentre tantos outros. Desejamos ser como elas em, pelo menos, algum aspecto. É fato que nós seguimos exemplos, sejam dos pais, de amigos, pessoas próximas ou distantes, de heróis…Líderes!

A questão é, mais cedo ou mais tarde, chegará o momento em que seremos nós as pessoas a serem seguidas.

E então, qual o tipo de líder você está se preparando para ser?

O que somos é algo definido, apesar de diferentes definições: é matéria. Quem somos é puramente uma construção que depende das experiências que vivemos e aprendizados a que nos sujeitamos. Depende de nós, das nossas relações , comportamentos, decisões, etc.
Somos todos passíveis dessa absorção, consciente ou não, dos hábitos e costumes que envolvem o ambiente em que vivemos. No entanto, a estrutura que é construída pela aquisição de informações/comportamentos que nos conduz a desenvolver nossas opiniões, não estão necessariamente limitadas ao ambiente em que vivemos. Quanto mais buscamos sair do lugar comum, mais estaremos nos expondo às possibilidades de aprendizado e, consequentemente, mais chances de evoluir teremos.

Nesse caminho de conscientização e evolução, nos deparamos com diversos tipos de aprendizados e de líderes, que nos cativam, seja por seus conteúdos ou, muitas vezes, pela proximidade ao que nos é familiar. Será que essas pessoas estão te conduzindo pelo melhor caminho? Te preparando para se tornar alguém melhor, ou estão te ensinando a ser apenas mais um?

Indo um pouco mais longe, ao mantermos em nosso convívio unicamente pessoas e situações a que estamos acostumados, estaremos desenhando aprendizados repetitivos, sejam eles edificantes ou que nos limitam.

Na teoria, identificar as diferenças entre o que te leva a algum lugar e o que te mantém no mesmo não parece difícil. No entanto, na prática, a teoria se transforma. Afinal, a nossa forma de enxergar o universo , nossas vidas e tudo que está ao nosso redor, está profundamente arraigada aos nossos parâmetros, que nos são incutidos tanto quanto absorvidos, de acordo com o ambiente em que vivemos e pessoas que nos cercam.

Se nos sujeitamos a um aprendizado que nos limita ao invés de nos libertar, que nos mantém repetindo um mesmo padrão de comportamento e que, consequentemente, trará sempre os mesmos resultados, não estamos evoluindo, apenas reproduzindo. Ou seja, sem a liberdade do pensar ou o estímulo do questionar, não ocorre uma formação, mas uma formatação. Ou seja, um aprendizado que limita, tolhe e não nos leva à mudanças. Formatar carrega o peso dos limites e, portanto, tem uma conotação pouco ou nada positiva.

Quando um aprendizado nos conduz ao questionamento e estimula a adquirir novas condutas, atingir outros patamares e quebrar correntes, nos levando a um entendimento melhor de quem somos e como nossos comportamentos podem alterar a condição humana, a esse processo sim podemos chamar de formação. Na formação, parte-se do princípio de que a liberdade de escolha deve, necessariamente, estar vinculada às consequências. É importante que saibamos que toda e qualquer conduta vai refletir não só em quem somos, mas também ao que está em nosso redor, sejam pessoas ou ambiente.

Entender que a minha liberdade de escolha, acompanhada de meus questionamentos, me ensinarão sobre consequências que podem ou não afetar tudo que me cerca é fundamental. Para evitarmos esse ciclo vicioso, sejamos mais observadores, tanto quanto questionadores. Na observação, descobrimos modelos e aprendemos a diferenciá-los. Enquanto questionando, não aceitamos simplesmente que nos empurrem uma formatação goela abaixo. Observar e questionar nos coloca numa posição de escolha. E as escolhas traduzem-se num processo pessoal e único, que é uma metamorfose que mescla quem somos e o que constantemente absorvemos.

É de nossa natureza a passividade mediante a absorção de moldes, seja em sistema de formação ou de formatação. A grande maioria está sujeita a essa moldagem de forma absolutamente inconsciente. Tenho a impressão de que apenas uma pequena parcela é dotada da capacidade de notar esse mecanismo de aprendizado. Talvez uma parcela ainda menor tenha a capacidade de visualizar o mecanismo conscientemente. E uma quantia quase insignificante, de utilizá-lo para o bem comum. Nessa categoria, de visualização do processo de forma consciente, se encontram os bons líderes.

Um líder comum enxerga o mecanismo. Se apropria dele e o modela aos seus parâmetros e para obter os resultados que deseja para si e para o mundo. O bom lider se prepara, está sempre se questionando e aos outros, se utiliza do mecanismo para libertar a si e ao seu semelhante, transformando-o e ao ambiente em que vive, propagando a justiça e igualdade, sem excessões. Entende que o conhecimento é um caminho sem limites. E quanto mais conhecimento, menores as chances de se condicionar a um molde ou sistema que não o respeite como parte importante do todo. Quem torna-se um bom líder, sabe da importância de seu exemplo e vive sob os preceitos da liberdade, respeito, bem estar comum e valorização pessoal acima de qualquer doutrina.

No entanto hoje, temos muitos líderes desprovidos de formação e reprodutores de formatação, que se auto proclamam líderes apenas por terem um conhecimento superficial de técnicas que são utilizadas unicamente para manipulação.

Qual é o líder que te cativa: o que forma ou o que formata? E qual deles você quer se tornar?

Vale lembrar que, enquanto seres reprodutores de doutrinas, abrimos mão dos questionamentos que ampliam nossos horizontes, fazendo com que nossos parâmetros também se restrinjam e uma vasta gama de aprendizados, que seria a base de uma boa formação, seja desperdiçada. E isso se dá apenas para que possamos nos enquadrar numa posição que não nos permite a igualdade, mas a uniformidade.

São esses falsos líderes, que alienam ao invés de equiparar, usurpam dos direitos que permitem aos demais atingir um nível de entendimento que os desvinculem do processo, ou seja, que os tornem capazes de distinguir entre o que edifica e o que tolhe, transformando e condicionando pessoas a meros seguidores de normas e doutrinas.

Sei que somos todos passíveis de formação, mas nem todos estão se preparando para formar. E poucos, bem poucos, estão se preparando corretamente, visando o bem comum.
Se desejamos entender as diferenças entre quem forma e quem formata, necessitamos ampliar nossos conhecimentos adquiridos e buscar por novas fontes que nos permitam entender ao invés de aceitar cegamente. Necessitamos combater essa alta capacidade de nos limitarmos, reproduzindo comportamentos sem questionar, sem sequer analisar os reflexos destes em nossas vidas e na dos que nos cercam. É imprescindível que não nos deixemos ser formatados, nos condicionando a vivermos uma vida indigna, restrita ou infeliz, dentro dos moldes de uma sociedade injusta, de líderes egoístas e perigosos, que nos mantém cativos de nossa própria ignorância.

Aprendamos, pois, que o auto-conhecimento tem papel mais que importante na sua formação. É parte fundamental da sua evolução pessoal, e profissional…da sua evolução como ser humano.
E se você não quer ser manipulado, quanto maior for o seu conhecimento e menor for a sua incapacidade de se aceitar um ignorante, mais acertadas serão suas conclusões e maiores serão as chances de se tornar um bom líder. Um líder que usará seu conhecimento para formar e não formatar, criando assim, uma sociedade de líderes… e não meros serviçais.


Denise Lazari Vieira – formada em Letras e Literatura, casada com a poesia e amante incondicional da filosofia. Trabalha com administração e contabilidade, além de fazer parte da equipe de treinamento em Desenvolvimento e Liderança – DL – Miami e Boston

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