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O que é Inclusão ou o que você entende como Inclusão?

19 de de setembro 2016 por

Na semana em que se encerram as Paralimpíadas realizadas no Rio de Janeiro, minha cidade natal, o sentimento é de contradição. Aquela sensação de saudade do lugar onde cresci e vivi os melhores momentos de minha vida, misturada com o sabor amargo e angustiante do alívio por estar longe. Sou porta voz de meu filho de 9 anos, tetraplégico devido a uma paralisia cerebral severa, que não pode falar. Mais do que sua voz, sou seus braços, suas pernas, seu cérebro. E em contrapartida, ele é meu coração. Só nós sabemos a dor da exclusão social, ao viver em uma cidade que rejeita o que lhe é diferente.

Para saber ao pé da letra o que é “Inclusão”, é muito simples. Basta ir ao dicionário online e vc encontrará respostas como esta:

“Incluir v.t. 1. Compreender, abranger. 2. Conter em si. 3. Inserir, introduzir. 4. Estar incluído ou compreendido; fazer parte. Inclusão sf.”

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Foto: Mari Hart

Pelo fato da palavra “Inclusão” ser relativamente nova, e sua atividade mais recente ainda, ainda existem percepções de ambivalência e confusões em relação a ela. E em quase uma  década sendo mãe de uma criança com deficiência, tenho a sensação que informar não é só meu dever, mas minha missão. No mundo real onde eu e meu filho existimos, isso são apenas palavras. E como pode ter diversos significados e interpretações, venho aqui falar sobre a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade, na prática. A mesma inclusão que começa dentro de casa junto com o irmão gêmeo de meu filho deficiente, minha filha adolescente e meu marido, grande parceiro de vida.

Incluir não é aceitar. Eles não precisam de comiseração. Incluir é integrar plenamente, compreender o próximo com suas necessidades específicas e limitações, e abrir seu mundo ao infinito. É estar dentro. Um só. Inserido de fato. Tendo consciência de que não existimos sem uns aos outros. Diferentes. Como precisa ser um quebra-cabeça para estar completo e chegar ao seu fim. Incluir não é favor ou privilégio. É ter um reconhecimento digno e legítimo como cidadão, e o direito à igualdade.

Já disse o filósofo: “É preciso tratar desigualmente os desiguais”. E por isso lutamos por direitos e tb deveres.

Embora o direito de ir e vir esteja previsto em constituição, a acessibilidade ainda é um dos maiores obstáculos à pessoa com deficiência. Tiram-no o pleno direito à liberdade. Com isso, perde-se de tudo um pouco, incluindo a dignidade. Em pleno 2016, é inadmissível que ainda devemos lutar para o básico, um mundo feito para todos, cada um com suas diferenças. A verdadeira integração social, com espaços preparados para seres humanos com limitações físicas e/ou sensoriais, vagas em mercado de trabalho e oportunidades iguais. Um mundo feito para humanos. De todos os tipos.

E por isso, há exatamente 1 ano, parti sem olhar para trás. Hoje, na Florida, meu filho é respeitado, conhecemos a verdadeira inclusão social e escolar, temos zero problemas de acessibilidade, e assim, encontramos um mundo onde o sonho é real. Bato na tecla de que não existe lugar perfeito. A grande questão é que tipo de problemas queremos enfrentar. Usar o livre arbítrio, sair da zona de conforto, ousar. Se não podemos mudar a realidade à nossa volta, que sejamos nossa própria mudança, em nosso infinito particular. Nós podemos aquilo que nos permitimos poder!

A diversidade entre origem, raça, classe social, religião, etnias, etc, são fatores importantes e necessários para uma sociedade heterogênea, e assim, evolutiva. Em um atual momento onde se discute tanto sobre ética, reavaliação de valores, questionamento do senso comum, é urgente que estejamos cientes de que somente incluindo, é que conseguiremos um mundo interrompendo ciclos de pré-conceitos e ações hereditárias que perpetuam o capacitismo e intolerância ao diferente, criado historicamente por séculos. Logo, a inclusão social não é uma luta somente dos deficientes. É uma batalha a ser conquistada por todos nós. Desconstruindo, para construir. E as ferramentas de amor, vontade e desejo de um futuro melhor, estão nas nossas mãos.


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Mari Hart.  Fotógrafa. Mãe. Doula. Feminista, louca por gatos, viciada em café, tatuada.  Carioca na Florida.

Photographer. Mom. Doula. Birth lover. Feminist. Crazy for cats. Coffeeholic. Tattoo addicted. Buddhism enthusiast. Brazil/US.

marihartphoto@gmail.com

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