Uma Abordagem da Psicologia Positiva Por Solange Mesquita Gomes -terapeuta online Percebo que muitos não sabem como lidar com traumas...


Como se informar sem adoecer: os perigos do excesso de notícias negativas para sua saúde mental
Vivemos em tempos de bombardeio informacional. A todo instante, somos expostos a uma avalanche de notícias negativas, manchetes catastróficas e previsões sombrias. A busca por se manter informado se transforma, muitas vezes, em ansiedade, sobrecarga emocional e até sintomas físicos.
Você já se pegou rolando a tela por horas, mergulhado em tragédias que sequer estão perto da sua realidade?
Evidenciar o caos traz lucros absurdos. A tragédia vende. E sempre vendeu. Mas hoje, vende mais do que nunca, sem freios, sem autor, sem responsabilidade. Com um clique, qualquer um publica uma notícia. Mas quem garante a veracidade?
O termo “infodemia” ganhou força nos últimos anos: significa o excesso de informações, muitas vezes imprecisas ou sensacionalistas, que, em vez de orientar, confundem, paralisam e adoecem.
Durante a pandemia de COVID-19, uma pesquisa do Instituto Johns Hopkins revelou que 25% dos casos de depressão, ansiedade, pânico, conflitos familiares e insônia não tiveram como causa direta o vírus, nem a perda de entes queridos — mas sim o excesso de exposição a notícias negativas, muitas vezes sensacionalistas.
Atenção ao trágico não acontece por acaso: nosso cérebro é programado, desde os tempos primitivos, para reagir primeiro ao que pode representar perigo ou ameaça. O que era um mecanismo de sobrevivência funcional, hoje nos mergulha em um estado constante de alerta e ansiedade.
Nosso sistema nervoso, quando exposto continuamente ao medo e ao caos, entra em estado de alerta constante. Isso aciona o eixo do estresse e, com o tempo, pode desencadear problemas como insônia, irritabilidade, cansaço crônico, gastrite, queda de cabelo e até crises de pânico.
Mas não se trata de ignorar o mundo. Trata-se de reconhecer o que podemos filtrar e escolher, de forma consciente, o que permitimos entrar em nossa mente e em nosso corpo.
É preciso aprender a filtrar com responsabilidade. Regular o foco. Selecionar as fontes. Estabelecer limites. Porque, em tempos de excesso, a saúde mental se constrói com consciência.
Há exemplos inspiradores de quem sobreviveu e floresceu mesmo em ambientes adversos como Stephen Hawking, que, mesmo com Esclerose Lateral Amiotrófica, foi produtivo, criativo e brilhante até o fim, ou como a ativista e empresária Oprah Winfrey que, a despeito das dificuldades corporais ou ambientais, manteve a mente lúcida e produtiva. Eles, como tantos outros, usaram a mente como ferramenta para liberdade, superação e sucesso.
Filtrar o que entra é um ato de amor próprio, de inteligência emocional, de autorrespeito.
Evitar filmes de terror, recusar a fofoca venenosa, silenciar notificações que só geram ansiedade é autocuidado prático.
Que o cuidado com a mente seja também nossa prática de cada dia.
Que a lucidez nos permita escolher com consciência.
E que, em meio ao barulho do mundo, a paz seja nossa escolha diária.
Solange Mesquita Gomes é terapeuta online, mestra em Psicologia, com formação em neuropsicologia, EMDR, psicodrama e constelação familiar. Atua com abordagem integrativa e sistêmica, apoiando pessoas em processos de dor, reconstrução e fortalecimento emocional, especialmente brasileiros que vivem no exterior. Escritora e palestrante, é apaixonada pelo poder simbólico das histórias e pela escuta que transforma.