Você consome notícias ou elas estão consumindo você?

Aug 12, 2025 | Empreendedorismo, Saúde e Bem Estar

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Você consome notícias ou elas estão consumindo você?

Como se informar sem adoecer: os perigos do excesso de notícias negativas para sua saúde mental

Vivemos em tempos de bombardeio informacional. A todo instante, somos expostos a uma avalanche de notícias negativas, manchetes catastróficas e previsões sombrias. A busca por se manter informado se transforma, muitas vezes, em ansiedade, sobrecarga emocional e até sintomas físicos.

Você já se pegou rolando a tela por horas, mergulhado em tragédias que sequer estão perto da sua realidade?

Evidenciar o caos traz lucros absurdos. A tragédia vende. E sempre vendeu. Mas hoje, vende mais do que nunca, sem freios, sem autor, sem responsabilidade. Com um clique, qualquer um publica uma notícia. Mas quem garante a veracidade?

O termo “infodemia” ganhou força nos últimos anos: significa o excesso de informações, muitas vezes imprecisas ou sensacionalistas, que, em vez de orientar, confundem, paralisam e adoecem.

Durante a pandemia de COVID-19, uma pesquisa do Instituto Johns Hopkins revelou que 25% dos casos de depressão, ansiedade, pânico, conflitos familiares e insônia não tiveram como causa direta o vírus, nem a perda de entes queridos — mas sim o excesso de exposição a notícias negativas, muitas vezes sensacionalistas.

Atenção ao trágico não acontece por acaso: nosso cérebro é programado, desde os tempos primitivos, para reagir primeiro ao que pode representar perigo ou ameaça. O que era um mecanismo de sobrevivência funcional, hoje nos mergulha em um estado constante de alerta e ansiedade.

Nosso sistema nervoso, quando exposto continuamente ao medo e ao caos, entra em estado de alerta constante. Isso aciona o eixo do estresse e, com o tempo, pode desencadear problemas como insônia, irritabilidade, cansaço crônico, gastrite, queda de cabelo e até crises de pânico.

Mas não se trata de ignorar o mundo. Trata-se de reconhecer o que podemos filtrar e escolher, de forma consciente, o que permitimos entrar em nossa mente e em nosso corpo.

É preciso aprender a filtrar com responsabilidade. Regular o foco. Selecionar as fontes. Estabelecer limites. Porque, em tempos de excesso, a saúde mental se constrói com consciência.

Mente como território de liberdade

Há exemplos inspiradores de quem sobreviveu e floresceu mesmo em ambientes adversos como Stephen Hawking, que, mesmo com Esclerose Lateral Amiotrófica, foi produtivo, criativo e brilhante até o fim, ou como a ativista e empresária Oprah Winfrey que, a despeito das dificuldades corporais ou ambientais, manteve a mente lúcida e produtiva. Eles, como tantos outros, usaram a mente como ferramenta para liberdade, superação e sucesso.

O autocuidado é escolha e prática

Filtrar o que entra é um ato de amor próprio, de inteligência emocional, de autorrespeito.

Evitar filmes de terror, recusar a fofoca venenosa, silenciar notificações que só geram ansiedade é autocuidado prático.

Algumas atitudes simples podem mudar tudo:

  • Escolha fontes confiáveis e reduza o tempo de exposição ao noticiário.
  • Estabeleça horários específicos para se informar e evite isso à noite.
  • Pratique meditação ou oração diariamente.
  • Cultive boas amizades, vínculos saudáveis, conversas leves e risos honestos.

Informar-se, sim. Adoecer, não.

Que o cuidado com a mente seja também nossa prática de cada dia.

Que a lucidez nos permita escolher com consciência.

E que, em meio ao barulho do mundo, a paz seja nossa escolha diária.

Solange Gomes

Solange Mesquita Gomes é terapeuta online, mestra em Psicologia, com formação em neuropsicologia, EMDR, psicodrama e constelação familiar. Atua com abordagem integrativa e sistêmica, apoiando pessoas em processos de dor, reconstrução e fortalecimento emocional, especialmente brasileiros que vivem no exterior. Escritora e palestrante, é apaixonada pelo poder simbólico das histórias e pela escuta que transforma.