Rabanadas Rabanadas

As Rabanadas da minha mãe tinham o sabor do amor …

17 de de dezembro 2015 por

Vamos combinar que Rabanadas para muitas pessoas não são consideradas como aperitivo ou prato principal, nem sobremesa e muito menos para serem servidas num café da manhã qualquer.  Rabanada é iguaria. É pra comer revirando os olhos.

Por que a gente só come Rabanadas no Natal?

A única dúvida que eu sempre tive foi: se Rabanada é tão maravilhosa, tão apreciada por nós brasileiros, nos traz tantas lembranças boas da infância (alguns até nos telefonam dias antes da ceia só para fazer a célebre pergunta: “Vai ter rabanada, né?”) e se é tão fácil de preparar, por que nós só fazemos no final do ano?  Por que não em outras ocasiões ou até mesmo para simplesmente serem servidas num café da manhã diferente, tipo aniversário de alguém da família?

Uma vez até comentei com uma amiga que já morava na Flórida há anos, que eu estava com vontade comer rabanada. Eu tinha acabado de me mudar para a Flórida. Ela, com aquele olhar de quem já conhecia tudo por aqui mas eu não, encheu os pulmões e soltou essa: “Sério? Então vou te levar num restaurante muito bom chamado Shooney’s … Lá você vai provar umas French Toasts maravilhosas! São iguaizinhas às nossas rabanadas” Claro que não são! E quem me conhece pode adivinhar qual foi a minha reação ao dar a primeira mordida naquilo! Usei da minha franqueza habitual e sugeri que a minha amiga fosse à minha casa no Natal e provasse a minha receita. Ela nunca apareceu.

O ritual de preparação da minha mãe

Lembro quando criança, como as nossas eram preparadas naquela casa da Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro:

2 dias antes da noite de Natal, minha mãe comprava um pão que dizia ser especial e que se chamava assim mesmo: Pão de Rabanada.  Devia ser, porque a padaria da esquina só fazia esse pão naqueles 2 dias.  Ela cortava o pão em fatias grossas e antes de fritar mergulhava as fatias numa mistura de leite morno com leite condensado e depois as passava rapidamente na mistura de ovos batidos em neve. Enquanto isso, numa panela funda ela esquentava o óleo.  Não lembro se era óleo de soja, milho ou outro qualquer.  Só lembro que era muuuuuito óleo!  Mamãe recolhia as fatias fritas com uma escumadeira e as transferia para um escorredor, para escoar todo o óleo excedente.  Ela gostava de dizer que as rabanadas ficavam “sequinhas”, mas isso era uma visão dela, porque na época não existia papel toalha e o processo era feito no papel de pão mesmo, que não era lá tão absorvente.  Depois disso, ela transferia as fatias para um prato fundo, cheio de açúcar misturado com canela pra dar o acabamento final.  Simples assim.

Todo esse ritual acontecia enquanto ela suava muito embaixo de um calor de 30 e muitos graus. Ela dizia que não se importava porque cozinhava com amor.  Tal cenário não combinava nem um pouco com as imagens dos cartões de natal que recebíamos pelo correio, os quais sugeriam que em Dezembro teríamos neve pra todos os lados. Aqueles cartões também mostravam casas com chaminé.  Descobri mais tarde que essa neve nunca chegaria ao Rio de Janeiro porém chaminé eu até encontrei em Penedo, já na fase adulta.

Heresias cometidas pelos Chefs modernos

Mas voltando ao presente: estava eu semana passada procurando no Google por receitas de rabanada, quando comecei a ver inúmeras versões sugeridas por “chefs”:  rabanada light, rabanada macrobiótica, diet, fat free, sugar free, orgânica, à base de leite de soja, glúten free, lactose free, rabanada de forno, cozida no vapor, na panela de pressão, rabanada de quinoa … Oi?  Comecei a ficar revoltada com tanta heresia! Como eles (ou seriam elas?) se atreviam a dizer que o resultado final daquelas receitas malucas seria igual ao da receita da minha mãe?

E a heresia parecia não ter fim: “rabanadas sem ovos nem lácteos” … como assim? Tais aberrações teriam feito a minha mãe arrancar o avental da cintura e sair correndo escada acima, até chegar ao galinheiro no quintal, só pra conferir se algum maluco radical teria invadido aquele espaço e destruído os ovos das suas queridas galinhas caipiras!

Seria mais ou menos como ver a Gloria Kalil desfilando com uma cópia descarada – alguns chamam essa cópia de genérica – de uma bolsa Louis Vuitton, tentando me convencer que a bolsa é legítima! Eu sei, eu sei … comparar LV com a Rabanada da minha mãe é um pouco demais. Porém essa é a forma que eu encontro no momento para explicar o que eu senti.

Bem, eu acabei desistindo de pesquisar na internet e decidi que este ano vou repetir a receita infalível da minha mãe. Afinal minha família gosta dela do jeitinho que sai: simples. E de preferência de um dia pro outro só pra ficar molhadinha pra comer com café na manhã do dia seguinte. Os ingredientes eu encontro facilmente por aqui, menos o pão.  Mas após várias tentativas eu conclui que o melhor de todos aqui na Flórida pra essa receita é o pão cubano.  Algumas amigas minhas discordam … elas preferem outros tipos de pão.  Mas isso é detalhe.

A dieta? Ah, essa eu começo, como todo mundo, no dia 01 de Janeiro de um ano qualquer.


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Vera é carioca, blogueira, practitioner em PNL (Programação Neurolinguística),  fundadora do Brasileirinho.com e seu maior prazer é usar este veículo para divulgar conteúdo relevante para leitores que moram, estudam ou visitam os Estados Unidos.  Tem como hobby ajudar ou ensinar pessoas a construirem seus  próprios websites para promover seus negócios ou serviços, usando WordPress como plataforma.  Para contato: vschafer@brasileirinho.com 

 

Mariana Souza says:

Ai, como amo rabanada!! Realmente, as rabanadas da minha mae tinham o mesmo gosto de Amor. 🙂 Achei que vc ia citar rabanada gourmet.. kkkk Bjs e Feliz Natal!

Vera Schäfer says:

Hehehe … essa passou batida. Beijocas e Feliz Natal pra você também!

Teluria Lima says:

Verinha, eu fiquei com agua na boca. AMEI ler o que escreveu. Voce me diverte muito. A sua escolha de palavras eh sensacional. Feliz Natal, querida. E te desejo muitas rabandas feitas com muito amor, igualzinho a da sua maezinha. Beijos

Vera Schäfer says:

Obrigada, minha linda! Te desejo o melhor dos Natais também! Beijocas

Wany cruz says:

Adorei o texto.Feliz Natal é um ano novo de paz.

Vera Schäfer says:

Obrigada! Pra você também, Wany!

Elita says:

Veroca, parabens ….. adoro a sua maneira alegre de escrever, adorei o texto…. acredito que as suas rabanadas devem ser deliciosas, porem nunca, melhores que a da minha mae!!!!! Bjs

Vera Schäfer says:

Elita, querida! Muito obrigada pelo carinho. Não duvido que as da sua mãe sejam as melhores! É assim que vemos todas as rabanadas de todas as mães do mundo, não é mesmo? rsrs

Jana says:

Depois de todo esse bla bla bla cade a receita da rabanada?

Vera Schäfer says:

A história conta os ingredientes: pao/leite/leite condensado/ovos/açucar/canela
A quantidade depende de quantos pães você quer fazer …

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